13 lições não me define. Foi onde eu comecei.

Eu o escrevi antes de estar pronta, antes de ter clareza sobre muitas das coisas que hoje consigo ver com mais precisão. Não foi um gesto calculado, nem fruto de maturidade. Foi movimento. Foi o que era possível naquele momento.

Havia uma ruptura em curso. Um tipo de fim que não acontece de uma vez, mas que vai se impondo até que não seja mais possível sustentar o que antes parecia inteiro. O encerramento de uma vida que, por muito tempo, fez sentido — e que fui eu mesma quem precisei atravessar até o fim.

Não havia distância entre o que eu vivia e o que eu escrevia. Não havia elaboração. Havia travessia.

Escrever foi a forma que encontrei de não me dispersar dentro disso. De sustentar algum eixo enquanto tudo se reorganizava por dentro. O livro não nasceu de respostas consolidadas, mas de uma tentativa de permanecer consciente no meio do processo.

A primeira lição fala sobre começar antes de estar pronto. Na época, não percebi que estava, de alguma forma, obedecendo a essa própria ideia.

Hoje, olhando com mais distância, reconheço com clareza o lugar desse livro. Ele não é o que escrevo hoje — e nem precisa ser.

Ainda assim, ele encontrou pessoas. E ajudou. E isso permanece.

O que começou ali não terminou ali. Esse livro marca um ponto de partida, não um lugar de permanência. Há coisas que só podem ser escritas quando ainda não estão completamente organizadas — e há outras que exigem o tempo, o silêncio e a precisão que só vêm depois.

Outros livros virão. Com mais consciência, mais estrutura e menos concessão. Mas este foi o primeiro gesto.

E, às vezes, começar é o que muda tudo.

 

 

 

 

Este foi o primeiro gesto.