Coluna

Escrevo para a mulher que sente antes de entender. Para quem carrega vínculos com cuidado, mesmo quando machucam. Para quem conhece o silêncio que não é paz: é espera, é aprendizado, é reconstrução.

Aqui não há respostas prontas. Há palavras que tentam nomear o que vive dentro, o que fica depois que tudo muda, o que permanece quando já não sobra mais nada óbvio para segurar.

É uma escrita sobre mulheres e para mulheres. Sobre o universo interno que ninguém vê. Sobre presença, ausência, linguagem e os vínculos que nos formam, mesmo os que nos partiram.

Leia no ritmo que o seu momento pede.

Como a linguagem rebaixa sem fazer barulho

Há palavras que, de tão repetidas, deixam de ser percebidas. Instalam-se no uso cotidiano com a leveza de quem não carrega consequências. “Pegar”, “comer”, “catar”, “usar”. À primeira vista, parecem apenas formas descuidadas de falar de desejo. Mas a linguagem...

O silêncio que ensinaram às mulheres

A mulher raramente é silenciada de uma vez. Primeiro, ensinam-lhe o tamanho aceitável da própria voz. Dizem onde deve estar, como deve viver, o que pode desejar sem parecer excessiva. Durante muito tempo, venderam à mulher a falsa nobreza de se partir em duas: ou mãe,...